segunda-feira, 11 de abril de 2011

do hoje.

mãe, eu quero ficar sozinho.
mãe, não quero pensar mais.
mãe, eu quero morrer, mãe.
eu quero desnascer, ir-me embora, sem sequer ter que me ir embora.
mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim.
outro maldito que não sou senão este tempo que decorre
entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo, de quê, mãe?
diz, são coisas que se me perguntem? 

não pode haver razão para tanto sofrimento.
e se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar?
partir e aí nessa viagem ressuscitar da morte ás arrecuas que me deste.
partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, 

terra, mar, mãe...
lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, 

lembrar nota a nota o canto das sereias... 
lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição
partir aqui com a ciência toda do passado
partir
aqui
para ficar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário