terça-feira, 5 de abril de 2011

não-lugar.

não sei bem porque {ou o que} resolvi escrever, mas... eis-me aqui.
talvez saia algo bom, visto que na maioria das vezes que  não sei o que dizer normalmente são as vezes em que algo realmente substancial é dito.
penso em haneke e seu peculiar culto ao vazio.
confesso que esse é um dos assuntos que mais me interessam, juntamente com a concepção pós-moderna do sujeito, a amoralidade{ "não há nada bem profundo dentro de nós, a menos que nós mesmos o tenhamos colocado; não há nenhum critério que nós mesmos não tenhamos criado no curso de formar uma prática; não há nenhum padrão de racionalidade que não seja um apelo a tal critério; não há nenhuma argumentação rigorosa que não seja a obediência às nossas próprias convenções."}, corporeidade e a fragmentação do corpo, etc., exatamente por se tratarem de assuntos que não destoam dos usos da presente época.
quando mais nova, não obtive incentivos filosóficos, por assim dizer, principalmente pelos mestres, e talvez por isso eu insista tanto na idéia de má formação dos profissionais, não só dessa área, infelizmente, e da rotatividade por entre as disciplinas... graduados em filosofia ministrando aulas de geografia, história, e vice-versa.
anyways... por volta da 8ª série me senti um tanto entediada e resolvi folhear os livros da escola.
então, li "fundamentos da filosofia" do gilberto cotrim. 
assim que vi quem era o autor logo pensei: "infelizmente não possuo pés suficientes p/ mantê-los atrás". 
graciosidade.
piadinhas à parte, também pensei algo parecido quanto ao conteúdo e ao ensino de filosofia em minha então escola, visto que nem uma única vez durante todo o ano letivo abrimos o livro; mas isso é outra história que discorrerei sobre {algum dia} aqui.
de fato, o livro é um contratempo.
mas um único capítulo me chamou a atenção. 
"o processo da alienação - o homem alheio a si mesmo."
especialmente a parte em que o autor se refere ao consumo alienado.
e foi aí que li uma frase que jamais consegui pôr em esquecimento: 
"o ter substituindo o vazio do ser".


começei a pesquisar sobre o assunto, encontrei adorno e sua cultura {massificada} de consumo, a descentralização do sujeito, e, PUTAQUEPARIU, AMIGOS, lá se foi toda a minha sanidade.
{narrativas irrelevantes de como me tornei o que sou. não tentem em casa.}


na realidade eu gostaria de questionar a desmedida carência de sentido {e direção} existencial proveniente da contemporaneidade e da {não} atribuição do outro {como outro} como mercadoria.
mas não vou, beijos. 
e, sim, a frase acima fará sentido apenas p/ mim.

um tanto singular saber que a superfluidade do sujeito se dá à partir do que ele possui - e, acima de tudo, o que não possui- , assim como à transitoriedade emprega-se valor apenas no tempo.
fiz uma preocupante relação, mas não se trata apenas disso, trata-se também do simulado juízo de igualdade; e, certamente nesse contexto não se trata de algo bom; ao invés da tão querida aproximação, essa igualdade distingui, separa, e posterga o não-idêntico, deixando espaço apenas para o ordinário.
é aquela velha histórinha da bela capacidade {de merda} que o senso comum tem de extasiar-se sadicamente com toda e qualquer incompatibilidade.
bem, amigos: senso comum de cu é rola.
sempre tive problemas com isso.
e aí, o que resta é dar aquele abraço nas identidades em abismo, em posteriores crises, vácuos e não-rumo.
insensatamente absurda tamanha fragmentação, acredito mesmo que se achar tornou-se ingente.


noll é extremamente cortante; e aborda tais assuntos de maneira magistral. {ok, admito minha essência aleatória.}
o abandono, o indivíduo errante, o excerto.
a identidade negada.
tudo o que vemos é outra coisa porque vemos apenas conceitos. 
vemos nossas próprias construções.

alguém tropeça no meu sono e eu grito o nome não digo. 
nome não. não adianta retalhar meus nervos, me inquirir, interrogar, nem mesmo torturar. 
nome não. quando criança me ensinaram assim: nome, idade, endereço, escola, cor
preferida. não, não vou entregar ao primeiro que aparece; nome, idade, essas
coisas soterram um tesouro: sou todos, e quando menos se espera, ninguém.


não farei um desfecho.
apenas declaro-o meu legado.

Nenhum comentário:

Postar um comentário